Imagine por um momento que você esteja diante de um espelho.
Você olha para o seu rosto e percebe que ele está sujo. Talvez antes de olhar para o espelho você nem tivesse percebido, mas agora está diante de você. O espelho revelou aquilo que já estava ali.
Então você se aproxima e olha novamente.
A sujeira continua lá.
Você pode olhar para o espelho durante alguns minutos, pode mudar de posição, pode aproximar o rosto, mas existe algo que aquele espelho jamais poderá fazer:
Ele pode mostrar a sujeira, mas não pode limpar você.
Guarde essa imagem, porque ela nos ajuda a entender uma das funções da Lei de Deus.
A Lei funciona como esse espelho.
Ela nos coloca diante do padrão de Deus e revela nossa verdadeira condição. Ela mostra o pecado, aponta aquilo que está errado e deixa evidente aquilo que muitas vezes não conseguimos enxergar sozinho.
mas assim como o espelho não consegue retirar a sujeira que revelou, a Lei podia revelar o pecado, mas não podia transformar o pecador em alguém perfeito.
E talvez seja exatamente aqui que muitas pessoas confundem a função da Lei.
O problema nunca esteve no espelho.
Se você olha para o espelho e encontra uma mancha em seu rosto, você não culpa o espelho pela mancha. Ele simplesmente revelou aquilo que já estava ali.
Da mesma maneira, o problema nunca esteve na Lei.
A Lei é santa, justa e boa. O problema está no homem, que não consegue cumprir perfeitamente tudo aquilo que ela exige.
Paulo escreve:
Gálatas 3:10 — “Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no livro da lei, para praticá-las.”
Talvez, ao ler esse texto rapidamente, alguém pense:
“Então qualquer pessoa que descumprisse alguma coisa da Lei estaria debaixo de maldição?”
Para entender isso, precisamos continuar olhando para esse espelho.
NÃO BASTAVA CUMPRIR APENAS UMA PARTE
Existem duas palavras muito importantes em Gálatas 3:10: “todas” e “permanecer”.
Paulo não está falando de escolher algumas partes da Lei para obedecer e deixar outras de lado. O princípio apresentado é muito mais sério.
Quem buscasse ser considerado justo diante de Deus pelo cumprimento da Lei teria que permanecer em tudo aquilo que estava escrito nela.
Paulo está fazendo referência a uma declaração encontrada no próprio Antigo Testamento:
Deuteronômio 27:26 — “Maldito aquele que não confirmar as palavras desta lei, não as cumprindo.”
Agora volte para o espelho.
Quando a Lei nos coloca diante do padrão de Deus, o que encontramos em nosso reflexo?
Perfeição?
Quem poderia olhar para sua própria vida e dizer que nunca pecou, nunca falhou e cumpriu perfeitamente tudo aquilo que Deus determinou?
Se nossa justiça diante de Deus dependesse exclusivamente da nossa capacidade de obedecer perfeitamente, quem poderia se apresentar diante dele e dizer:
“Eu nunca falhei. Eu consegui cumprir tudo.”
É justamente nesse ponto que o espelho da Lei começa a revelar algo ainda maior:
Nossa necessidade de Cristo.
UM ÚNICO TROPEÇO JÁ MOSTRA NOSSA IMPERFEIÇÃO
Tiago apresenta esse princípio de maneira muito clara:
Tiago 2:10 — “Pois qualquer que guardar toda a lei, mas tropeçar em um só ponto, torna-se culpado de todos.”
Talvez alguém pudesse dizer:
“Mas eu obedeci quase tudo.”
O problema é que, quando estamos falando de perfeição diante de Deus, o “quase” ainda revela nossa imperfeição.
Pense em uma corrente.
Uma corrente pode possuir vários elos. Para que ela deixe de cumprir sua função, não é necessário quebrar todos eles. Basta que um único elo seja rompido.
Da mesma maneira, quando olhamos para o espelho da Lei, encontramos uma realidade que muitas vezes não gostamos de reconhecer:
Todos nós falhamos.
ENTÃO, PARA QUE SERVIA A LEI?
Diante disso, alguém poderia fazer uma pergunta bastante justa:
Se o homem não conseguia cumprir perfeitamente a Lei, então por que Deus deu a Lei?
Paulo nos ajuda a compreender:
Gálatas 3:24 — “De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados.”
Aqui a imagem do espelho fica ainda mais clara.
O espelho não é inútil simplesmente porque não consegue limpar seu rosto.
Muito pelo contrário.
É olhando para ele que você percebe que precisa ser limpo.
Da mesma maneira, uma das funções da Lei era mostrar o padrão de Deus e revelar a condição do homem.
A Lei dizia:
Olhe para o padrão.
Depois nos fazia olhar para nós mesmos.
E quando comparávamos os dois, percebíamos a distância existente entre aquilo que Deus exige e aquilo que o homem consegue realizar por suas próprias forças.
Por isso:
A Lei revela o pecado.
A Lei mostra nossa condição.
A Lei evidencia nossa necessidade.
Mas o espelho não é a solução para aquilo que revelou.
Por isso precisamos de JESUS.
NÃO QUEBRE O ESPELHO PORQUE NÃO GOSTOU DO REFLEXO
Existe algo importante que precisamos entender.
Quando alguém olha para um espelho e não gosta do que vê, quebrar o espelho não muda sua condição.
Da mesma maneira, reconhecer que a Lei revela nossa culpa não significa dizer que a Lei era má.
Paulo afirma:
Romanos 7:12 — “De modo que a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom.”
O livro de Hebreus também declara:
Hebreus 7:19 — “Pois a lei nenhuma coisa aperfeiçoou...”
Perceba a diferença.
A Lei era santa, justa e boa, mas não conseguia aperfeiçoar o homem.
Então onde estava o problema?
Não estava na Lei. Estava na incapacidade humana de cumpri-la perfeitamente.
O espelho estava funcionando perfeitamente.
O problema era aquilo que aparecia no reflexo.
E o nosso reflexo mostrava uma humanidade marcada pelo pecado e necessitada de salvação.
O homem precisava de um Salvador.
A MALDIÇÃO DA LEI
Agora conseguimos compreender melhor aquilo que Paulo diz em Gálatas 3:10.
Quando ele afirma que aquele que não permanecesse em tudo aquilo que estava escrito estava debaixo de maldição, ele demonstra a impossibilidade de o homem alcançar sua própria justiça por meio das obras da Lei.
Porque, se para sermos justificados pela Lei fosse necessário cumprir tudo perfeitamente, então todos enfrentaríamos o mesmo problema:
Paulo afirma:
Romanos 3:23 — “Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus.”
Agora as peças começam a se encaixar.
A Lei mostra o padrão.
O homem olha para si mesmo.
O reflexo revela sua imperfeição.
A imperfeição revela o pecado.
O pecado revela nossa necessidade de salvação.
Mas a história não termina diante do espelho.
JESUS FAZ AQUILO QUE O ESPELHO NÃO PODE FAZER
Aqui chegamos ao ponto principal de toda essa mensagem.
Imagine novamente aquela pessoa diante do espelho.
Agora ela sabe que está suja.
O espelho cumpriu sua função.
Ele mostrou a sujeira.
Mas aquela pessoa precisa de alguém capaz de fazer aquilo que o espelho jamais conseguiria fazer:
limpá-la.
É aqui que entra JESUS.
Paulo não termina sua explicação dizendo apenas que o homem estava debaixo da maldição da Lei.
Logo depois ele apresenta a solução:
Gálatas 3:13 — “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós.”
Essa é a diferença entre o reflexo da Lei e a graça de Cristo.
A Lei mostrou nossa culpa.
Cristo trouxe redenção.
A Lei revelou a mancha.
Cristo trouxe a purificação.
A Lei mostrou nossa necessidade.
Cristo veio ao encontro dessa necessidade.
Nós não conseguimos atingir a perfeição exigida.
Não conseguimos apresentar diante de Deus uma vida completamente sem falhas.
Mas Cristo fez aquilo que nós não poderíamos fazer por nossas próprias forças.
Por isso nossa esperança não está em olhar para o espelho e dizer:
“Veja como estou limpo. Eu consegui sozinho.”
Nossa esperança está em olhar para Cristo e reconhecer:
“Eu precisava ser limpo, e sozinho eu não conseguiria.”
DO REFLEXO DA LEI PARA A GRAÇA DE CRISTO
Quando entendemos corretamente a Lei, começamos também a compreender melhor a graça.
Se alguém acredita que pode ser salvo simplesmente porque é uma pessoa boa, talvez ainda não tenha olhado atentamente para o espelho.
Porque quando a Lei nos coloca diante do padrão de Deus e olhamos sinceramente para nossa própria condição, percebemos:
Não precisamos apenas melhorar nosso comportamento.
Precisamos de salvação.
Precisamos de um Salvador.
Por isso Paulo declara:
Gálatas 3:11 — “O justo viverá pela fé.”
Nossa confiança deixa de estar em nossa própria capacidade de cumprir perfeitamente a Lei e passa a estar naquele que fez aquilo que nós jamais conseguiríamos fazer.
Jesus Cristo.
No final, talvez toda essa mensagem possa ser entendida voltando àquela primeira imagem:
O espelho mostrou a sujeira, mas não podia limpá-la.
Assim também:
A Lei mostrou o pecado.
O pecado mostrou nossa culpa.
Nossa culpa mostrou nossa necessidade.
E nossa necessidade nos conduziu até JESUS.
Não devemos desprezar o espelho porque ele revelou nossa condição.
Precisamos entender para onde aquele reflexo estava apontando.
A Lei mostrou o quanto precisávamos de JESUS.
E a graça revelou aquilo que JESUS fez por nós.
Amei
ResponderExcluirÓtima explicação
ResponderExcluirMuito bom 👍 essa explicação
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